Cenário do coronavírus em Goiás

POR MARCOS VILLAS BÔAS

 

FALTA UNIDADE

Mesmo sendo um único desafio – enfrentar a disseminação do Corona vírus, o Governo de Goiás e os empresários continuam divididos sobre a metodologia e incentivando a politização do tema. A Federação das Indústrias acusa o Governador de perseverar no objetivo único de manter leitos vagos em hospitais e não ser responsabilizado por eventual falta de estrutura no setor de saúde, mesmo que para isto sacrifique empresas e empresários. Já o governador Ronaldo Caiado acusa os empresários de pregarem a volta ao trabalho e fazer “roleta russa” com a cabeça dos trabalhadores. Uma falta de unidade que custa caro ao cidadão – seja nos gastos públicos, seja na perda de emprego.

FALTA RACIONALIDADE

A ausência do poder municipal nas discussões sobre o controle da pandemia e os limites da quarentena deve promover risco de aglomerações e travamento da mobilidade pública a centenas de milhares de trabalhadores que terão retorno das atividades a partir de hoje. O novo decerto estadual libera cerca de 150 mil novos postos de funcionamento, mas a prefeitura abandonou discussões antigas sobre revezamento de horários, A consequência será todo mundo procurando os ônibus no mesmo horário e com a mesma pressa. Uma pessoa contaminada será suficiente para espalhar o “rastro de pólvora”.

INDEPENDÊNCIA OU MORTE

Depois da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a autonomia de Estados e Municípios para fixar os limites do isolamento social e a forma de contenção da pandemia do Corona Vírus, cada cidade no Estado de Goiás vem ganhando uma sentença própria. Goiânia manterá as mesmas regras do Estado, já Aparecida de Goiânia (a segunda maior do Estado), aposta na volta de 80% dos serviços públicos e fim da reclusão do comércio para mais de 50% das atividades. Com ou sem reabertura a grande atenção está na falta de cultura (e resistência de alguns) para a convivência em tempos de pandemia. Muito comum pessoas circulando sem preocupação com os demais, recusando o uso da máscara, tocando em tudo que vê e formando rodinhas para debater quem tem razão na guerra política que pegou carona na crise sanitária.

TESTES FALHOS

Os 2,5 milhões de testes rápidos para verificação da presença do Corona nos estados não tem a capacidade de identificar o vírus mas a presença de anticorpos no organismo das pessoas. Consequentemente haveria um retardo de 8 a 10 dias para que as pessoas produzam a defesa e isto fique evidente na corrente sanguínea. Como consequência a primeira grande rodada de testes terá mais efeito para descobrir quem já superou a doença do que evitar o seu contágio. Isto leva à necessidade de um fortalecimento do comportamento individual na convivência com a pandemia. Afastamento, mãos limpas, máscara sempre – são as maiores garantias até agora.

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