Ex-ministro Mandetta foi mantido pelo medo e demitido pelo STF

POR: MARCOS VILLAS BÔAS

Sempre foi silenciosamente recorrente a pergunta sobre por que um ortopedista do Mato Grosso, sem qualquer histórico de grandes feitos, se tornou peça chave da guerra de opiniões em torno do combate à pandemia. Afinal, além do fato de ter iniciado a carreira como médico do exército, Luiz Henrique Mandetta não impressionou ninguém quando foi nomeado. 

O fato é que desde a sexta-feira 13 de março, quando o presidente Bolsonaro recebeu (mas não mostrou) o resultado de seu exame de COVID 19, o chefe da nação e o ministro da Saúde partiram para caminhos diferentes. Bolsonaro saiu em socorro de seu exército digital e cumpriu o eterno papel de desdenhar da ciência. Mandetta se agarrou a protocolos da OMS por falta de um líder capaz de puxar um plano nacional de combate à doença.

Nunca que Bolsonaro perderia esta parada. Afinal, ele é presidente e faz questão de exercer e deixar claro que tem o poder. O que deu a sobrevida de 32 dias a Mandetta foi o medo, nas suas mais diversas formas. 

Os brasileiros, em sua maioria, com medo da morte que passa pela rua, onde o presidente insistia que todos frequentassem. Melhor manter o ministro… Os apoiadores do presidente – fardados ou não, também tinham medo, mas das eleições. Se o presidente errasse na escolha melhor que a culpa recaísse sobre o ministro petulante. Melhor mantê-lo como para-choque. Os mandachuvas do congresso também tinham medo, mas de um fiasco na estratégia do ministro DEMocrata – a nova esperança de uma sombra sobre Bolsonaro, desde que o Juiz Moro foi domesticado.

Mas onde foi parar o medo? O Supremo o cassou e junto com ele demitiu o ministro. Por unanimidade dos ministros, quando as famílias confinadas já vestiam seus pijamas, o STF decretou: Nos estados mandam governadores e nos municípios o prefeito, com ou sem a vontade do Presidente. Por lei, fica estabelecido de quem é a tarefa com seus ônus ou bônus.  

Calam-se os medos e no dia seguinte, antes que escurecesse novamente, Bolsonaro demite Mandetta e de quebra avisa sua milícia que o novo alvo é Rodrigo Maia e seus aliados – entre eles o novo desafeto, Ronaldo Caiado, com quem Mandetta passou a páscoa brindando à força do DEM.

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