Em meio à pandemia, que caminho seguir?

POR: MARCELO SAFADI

Nas religiões, todos tentam encontrar a explicação para existência do homem, da terra, dos significados.

Com tantas e tão diversas religiões, o que te faz pensar que somente a sua contém a verdade?

No caso da Pandemia do COVID posso afirmar que se dá o mesmo.

Não acredito que tenha alguém desejando o pior para o mundo, o pior para as pessoas, assim não faz sentido estas acusações de que os motivos das diferenças são porque alguém quer ver o circo pegar fogo.

Assim, diante das milhares de opiniões de especialistas reais, especialistas em debate nas redes, diante das centenas de decisões dos países, das reviravoltas de vários deles, fica ainda a impressão que o Brasil vive numa bolha, e que aqui é diferente, e que não devemos fazer uma análise baseada em outras experiências.

Procurando ser o mais isento possível, e sabendo que esta escolha não é da “moda”, vou tentar apresentar uma leitura para o que aconteceu e o que deveria acontecer.

Segue a análise:

Ponto 01 – sobre o isolamento

Os países que decidiram pelo isolamento social logo no início fizeram uma ótima escolha. Assim, conseguiram entender o COVID, seus efeitos, a capacidade de atendimento do Estado. Conseguiram aguardar que várias soluções de tratamento começassem a surtir efeito (existem no mínimo seis tratamentos com resultados semelhantes).

Os países que fizeram a escolha de manter a economia ativa com comportamento desleixado se ferraram.

Países com comportamento social exemplar, com uso de máscaras e com higiene acima de qualquer suspeita conseguem seguir em frente com baixo nível de infecção e com a economia com baixa queda.

Uma coisa é comum a todos os países do mundo: a indústria do turismo e de eventos será impactada de forma irreversível.

Ponto 02 – sobre a infraestrutura

Os países e cidades que investiram em melhorar sua infraestrutura médica, com foco em leitos com respiradores fizeram a coisa correta.

Os números indicam que algo como 20 mil leitos estão sendo criados para o combate do COVID, o que implica em aumento de 40% do número de leitos com suporte de respiradores.

Assim nossa capacidade de abrandar o isolamento será garantida.

Ponto 03 – sobre o retorno da atividade econômica

Aqueles que se precipitaram tiveram que recuar.

No caso do Brasil a antecipação do tema, antes de termos a infraestrutura e medicamentos criou uma queda de braço desnecessária.

O Ministério preparou um protocolo de avaliação para cada cidade, mas como o ambiente é focado em fazer apologia a cloroquina ou ao debate entre abrir e não abrir, nenhum município apresentou seus resultados sobre sua capacidade de abertura.

Assim me parece que a abertura deve ocorrer de forma gradual, mas deve ocorrer, sob pena de estender muito o isolamento e a própria estrutura de atendimento médico se deteriorar… existe um “timing” para isto.

Desta forma fizeram certo os governadores em decretar o isolamento na hora certa.

Os apoiadores da abertura do mercado estão certos, mas agiram de forma precipitada, criando resistências desnecessárias.

Os estados e municípios precisam apresentar seus números, sobre a capacidade de leitos disponíveis, talvez seja o dado mais importante para monitorar dia a dia.

Que tenhamos calma para o retorno, que ele aconteça de forma equilibrada e calibrada.

Uma coisa posso garantir: nosso risco será no comportamento inadequado da sociedade. Abraços e beijos debochados, reuniões com bebidas e trocas de copos, sem uso de máscara vão levar o Brasil para outro patamar, os casos voltam a aumentar de forma rápida e sem controle.

Espero que as máscaras se tornem um símbolo nacional, máscaras amarelas, vermelhas, do Flamengo, do Vila, não importa. Usem máscara até setembro.

Agora, como foram desnecessárias as acusações de parte a parte.

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