“Podemos zerar os casos de câncer de colo de útero, mas precisamos aderir à vacinação”, diz cirurgião do Inca

Em 2020, o Brasil terá cerca de 16 mil novos casos de câncer de colo de útero, apesar de este ser um dos tipos de tumor de mais fácil prevenção e detecção. A estimativa é do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que, em fevereiro deste ano, divulgou estudo com os prognósticos da doença no país para os próximos três anos. O Inca estima que, em 2020, 15 a cada 100 mil brasileiras terão esse tipo de câncer, que é o terceiro mais frequente entre as mulheres, atrás dos de mama e de cólon e reto — sem considerar o de pele não melanoma, o mais comum no país, mas de menor gravidade. Os números são piores nas áreas de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): o câncer do colo do útero é o segundo mais incidente nas regiões Norte (21 a cada 100 mil mulheres), Nordeste e Centro-Oeste. “Desinformação e preconceito se somam à dificuldade de acesso ao sistema de saúde para agravar o quadro nas regiões de menor IDH”, explica Gustavo Guitmann, cirurgião do departamento de ginecologia oncológica do Inca. “O que chama muito atenção é que se trata de um câncer prevenível, já que existe vacina”, diz, referindo-se à vacina para o papilomavírus humano, ou HPV, a principal causa da doença. Ele completa: “Podemos diminuir muito ou zerar o câncer de colo de útero no país, mas, para isso, a população precisa aderir à vacinação e aos exames preventivos ginecológicos.”

Se é considerado facilmente detectável e, inclusive, pode ser prevenido com vacinação, por que o câncer de colo de útero ainda é um dos mais frequentes nas mulheres?

Acredito que a causa seja multifatorial, mas em especial está a dificuldade no rastreamento e no diagnóstico do câncer. E isso se dá por alguns problemas, como a falta de regularidade das mulheres em procurar a assistência básica de saúde para a realização do exame preventivo e, uma vez coletado o material, a falta do retorno para checar o resultado. Devemos perder o preconceito com relação ao exame e às questões sexuais, em prol da realização do Papanicolau e do cuidado da saúde, além da importantíssima necessidade de aderirmos ao programa de vacina para HPV.

É possível fazer esses exames no sistema público de saúde?

Sim. O diagnóstico pode ser feito ainda na atenção primária, ou seja, em postos de saúde, ambulatórios comunitários e clínicas de família. Quando a paciente chega a fazer o diagnóstico de câncer de colo uterino ou suspeita dele, ela deve ser encaminhada aos serviços especializados, aos hospitais terciários com especialidade em ginecologia oncológica para a orientação do tratamento. O Brasil, porém, tem dimensões continentais e regiões de assistência de saúde deficitária, o que pode gerar um tempo maior do que o desejado para o início do tratamento.

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